domingo, 16 de setembro de 2012

HISTÓRIA DA TRADIÇÃO SÁKYA


HISTÓRIA DA TRADIÇÃO SÁKYA

S. S. Sakya Trizin

Neste Universo, no qual estamos residindo, existem muitas diferentes raças, culturas, diferentes filosofias, mas uma coisa é comum a todos, é que todas as pessoas, todo ser vivo, deseja estar livre do sofrimento.

Todos desejam experimentar felicidades. Seja crente ou descrente, qualquer que seja sua filosofia, qualquer que seja a tradição que mantenha.

E para conseguir a felicidade todas as pessoas fizeram os seus melhores esforços.

Para conseguir felicidade todas as nações construíram o progresso e para tanto muito trabalho foi realizado, muito progresso científico e tecnológio foi conseguido.

E houve muitas ações bem sucedidas, muitos problemas encontraram solução.

Mas é bastante claro que, sem desenvolvermos Sabedoria Profunda, o simples progresso material externo não nos dará por muito tempo o sucesso quanto à paz e à felicidade que estamos perseguindo.

Se o indivíduo não desenvolver a Sabedoria Profunda, o progresso material pode até tornar-se mais um obstáculo e não um meio para consegui-lo.

E agora, que estamos ingressando no novo Século, ter Sabedoria Interior, progresso mental, é fundamental.
Para conseguir esta Sabedoria Profunda, temos atingir a meta da Paz Real e da felicidade que buscamos. 

E assim, para o desenvolvimento da grande sabedoria, neste mundo, existem as diferentes religiões.

Eu pessoalmente acredito que todas as grandes religiões do mundo têm a sua beleza própria, a sua grandeza própria para desenvolver a bondade e a felicidade.

Mas como budista vou tentar apresentar o ponto de vista budista.

De acordo com o Ensinamento budista, todos os seres viventes, se tentarem seguir o desenvolvimento de um treinamento espiritual, serão bem sucedidos, porque todos os seres viventes possuem a chamada natureza búdica.

O que quer dizer que a natureza mesma de nossas mentes, apesar de nunca estar totalmente livre de obscuridades, apesar de nunca estar livre de poluições, apesar disso, a verdadeira natureza da nossa mente é pura desde um tempo sem princípio, desde o sem princípio.

Neste momento nós não vemos a verdadeira natureza da mente, porque estamos completamente cobertos de obscuridades, de poluição, de ilusões, de divisões.
Porque não vemos a verdadeira natureza da mente é que, devido a não conhecermos a realidade, nós nos inventamos um "eu".

E assim, devido a isto, para resolver o nosso sonho-de-um-eu, a nossa ilusão de um “eu”, nós nos aferramos a um "eu", como agregado do corpo, da mente e tudo isso junto nós cremos, nós tomamos como um "eu".


Este “eu”, que criamos, este eu artificial, fruto da nossa ilusão, é a fonte de toda a miséria e do sofrimento.


Para apropriadamente estarmos livres desse “eu” é preciso entrar no caminho espiritual e desenvolver aquela sabedoria profunda. Para podermos eliminar as obscuridades, porque as obscuridades não são a natureza da mente, as obscuridades estão no nível da cobertura.

Se as corrupções estivessem no nível da natureza da mente seria impossível, nada poderia ser transformado: o carvão não pode tornar-se branco por mais que o lavemos, porque a natureza do carvão é negra.

Mas as corrupções não são a natureza da mente, elas são temporárias.

Assim, com métodos corretos, nós podemos eliminar as obscuridades, assim como uma roupa branca coberta de sujeira não deixa ver a real cor da roupa. 
No momento nós não podemos ver a real natureza da mente, porque está coberta de poluições. 
O meio de eliminar essas corrupções é através do desenvolvimento do Método e da Sabedoria.

O Método depende da Sabedoria.

Sem a Sabedoria nós não podemos acumular o apropriado Método.

Para acumular o apropriado Método nós precisamos da Sabedoria.

E também para fazer brotar a Sabedoria nós necessitamos do suporte do Método.

Com os dois juntos, o Método e a Sabedoria, é que uma pessoa pode eliminar todas as obscuridades.

Só quando as obscuridades são eliminadas, podemos ver a verdadeira natureza da mente, com a qual podemos ter sucesso, o que quer dizer, em outras palavras, atingir a Iluminação, com a qual teremos todos os meios para conseguir realizar todos os nossos desejos, e porque todas as obscuridades foram eliminadas todas as qualidades poderão desenvolver-se.

E por isso nossos próprios desejos, os nossos próprios propósitos são realizados, e ao mesmo tempo, através do desenvolvimento das qualidades, nós poderemos desenvolver o socorro a todos os seres.

Isto é a introdução.

É muito importante conhecer as práticas espirituais da vida dos grandes Mestres para que nos inspiremos a seguir os seus exemplos. Porque também os grandes Mestres foram todos pessoas comuns como nós, e assim como nós estiveram cheios de corrupções e cheios de obscuridades.

Mas, porque entraram no caminho espiritual, e devido à prática que fizeram, com muito esforço puderam eliminar as obscuridades e desenvolver a Sabedoria e assim tiveram sucesso em suas práticas.

Por isso é muito importante conhecer a biografia dos Grandes Mestres.

Também para fazer nascer a inspiração para a prática é muito interessante conhecer os grandes Mestres.

Como sabem, o Budismo começou na Índia.
O Senhor Buddha nasceu na Índia e também atingiu a Iluminação na Índia.
E também na Índia demonstrou suas grandes atividades físicas, suas grandes atividades verbais, suas grandes atividades mentais.

Mas a sua atividade mais importante ficou conhecida como "Girar a Roda", Girar a Roda do Dharma.

O sentido disso é que a roda gira, e pelo girar da roda é que nós atingimos nosso destino, nosso objetivo, ou seja, nós vamos de um lugar para outro.

Semelhantemente, girar a roda tem dois significados: um é que, a grande realização tendo sido atingida pelo Buddha, através das palavras ele pôde transferi-la para nós, ou seja, assim como através da roda nós podemos viajar de um lugar para outro, através do girar da roda dos seus Ensinamentos puderam disseminar-se de um lugar para outro.

Outro sentido é que, primeiro nós ouvimos e aprendemos os Ensinamentos do Buddha, depois contemplamos, e a seguir meditamos sobre eles, e é através da meditação que nós prosseguimos e vamos mais adiante no caminho espiritual. 

Primeiramente o Ensinamento vem do Buddha para nós, e depois num momento posterior nós também prosseguimos. Este é o sentido de girar a roda.

Por isso o girar da roda do Dharma é a maior atividade realizada pelo Buddha, porque através do girar da roda os seres foram capazes de eliminar as obscuridades e conseguir o sucesso posterior no caminho. 

Depois que o Budismo se estabeleceu na Índia, se disseminou em vários países.

Mas no Tibet, e graças à bondade de virtuosos Reis do Dharma, de seus ministros, de alguns sábios indianos, de tradutores, através deles, o Tibet possuiu o completo Ensinamento do Buddha.

Ainda que em outras partes do mundo também existam profundas doutrinas budistas, alguns têm apenas a parte hinayana, outras têm apenas a parte mahayana, outras têm apenas a parte mantrayana (não completamente, mas têm).

O Tibet, porém, tem tudo, completo. Ensinamento Hinayana, o completo Ensinamento Mahayana e o completo Ensinamento Mantrayana.

E também tem as ciências relacionadas com a cultura budista, como a lógica, a arte e assim por diante.

O Tibet tem, não apenas o Ensinamento completo, mas o Mestres tibetanos atingiram a mesma realização que os Mestres indianos tiveram.

É por isso que se diz que o Tibet herdou os Ensinamentos na sua pureza, e não há diferença de realização entre os Grandes Mestres Indianos e os Tibetanos. A única diferença está no lugar onde aqueles e estes nasceram.

E assim como cada um desses dois países possuíram grandes Mestres, também dentro do Tibet cada uma das quatro escolas do Budismo tiveram igualmente grandes Mestres: A escola Ningma, Sakya, Kagiu e Gelugpa tiveram todas elas grandes Mestres. 

Da mesma forma na nossa tradição Sakya houve muitos grandes Mestres.

Os antepassados da tradição Sakya tiveram Sete Grandes Khöns.

Os Khön derivam diretamente de seres celestiais e mesmo naquele tempo antes do advento do Budismo eles eram emanações de Manjushri.

Depois, quando o Budismo veio da Índia, essa tradição [Khön] cresceu na propagação do Buddha-Dharma e pelo fato de que um dos primeiros tibetanos a receber a completa transmissão e ordenação era um Khön, cujo nome era Nagarashita.

Eram sete pessoas a receber a ordenação e ele era um dos mais jovens. Havia três velhos, um de meia idade, e três jovens. Nagarashita era o mais jovem. Todos eles se realizaram como monges completamente ordenados e isso foi muito auspicioso para o início da tradição do mosteiro tibetano.

Nagarashita e seu irmão, Dorge Rinchem, receberam os profundos Ensinamentos diretamente de Guru Padmasambhava e por esta razão eles praticaram o que se conhece como "antigos seguidores", o que em outras palavras eram os "Ningmapás".
Assim, a família Sakya herdou a mais antiga tradição de Vajrakylayia, ou seja, por 950 anos essa tradição existe na família Khon.

Muito tempo depois, o pai de Sachen Kunga Nyngpô (1092 – 1158), Khön Konchok Gyalpo, sentiu que devido às circunstâncias viera o tempo de estabelecer uma escola separada; que, se ele começasse uma escola separada seria mais benéfico; e assim a Escola Sakya foi estabelecida.

Khön Konchok Gyalpo estabeleceu o primeiro Mosteiro [Sakya]. Os Ensinamentos ali foram confiados aos Tradutores, porque os Ensinamentos que vieram dos tradutores eram considerados autênticos. Os Tradutores viajavam do Tibet para o Índia e ali se encontravam com os grandes Mestres indianos e recebiam os Ensinamentos.
Naquele tempo vivia o tradutor Dromi Lotsawa, um dos maiores tradutores. De fato, o grande Marpa, o fundador da Escola Kagiu, também estudou com Dromi Lotsawa. Dromi Lotsawa era um grande Mestre. Ele foi para a Índia e estudou com o grande "Karmalashila".

Assim ele voltou para o Tibet e lá encontrou Gayadhara.

A Linhagem do Landré: Virupa  837CE - 909CE; Krishnapa; Damarupa; Avadhutipa; e Gayadhara.

De Gayadhara ele recebeu novamente o Ensinamento LanDré, lá mesmo no Tibet.

O Treinamento da Mente, que é chamado "a liberação dos quatro apegos", se origina no mestre Sakya Sanchen Kunga Ningpô. 
Quando ele tinha 12 anos, estava engajado numa prática de retiro de Manjusrhi por seis meses, quando teve uma visão da deidade.
Manjusrhi apareceu em sua visão e lhe deu o seguinte ensinamento:
1- Se você tem apego a esta vida, você não é um praticante do Dharma.
2- Se você tem apego ao Samsara, você não tem sentido de renúncia.
3- Se você tem apego a si próprio, não há bodhiccita, pensamento de iluminação.
4- Se você está agarrado, não existe a visão.
Nessas quatro linhas todos os sentidos das seis paramitas, ou seis perfeições, estão contidos.

A fim de que você tenha o Dharma apropriado, ao invés de ter apego a esta vida, sua mente deve estar apegada ao Dharma; ao invés de ter apego ao Samsara, ou Existência, o nosso Dharma deve estar de acordo com certas instruções; ao invés de estarmos apegados a nós mesmos, devemos aprender o caminho que nos liberta das ilusões.
A sabedoria vai aparecer e libertá-lo da confusão.
O antídoto de estar apegado a si próprio é a sabedoria que vai além da ilusão. Aparece a sabedoria que está além dos conceitos analíticos. Este é um tipo de sabedoria além da fabricação dos dois extremos.

Dessa maneira, como prática preliminar, vamos meditar e contemplar 1° a preciosa existência humana, 2° a morte, e 3° a causa e efeito ou karma.
 
Que é a meditação na preciosa existência humana?
Devemos meditar nas características que constituem a preciosa vida humana. 
Na natureza, é muito difícil ter esta condição humana, por isto existem muitas causas que fazem esta vida humana preciosa. Existem, poucos entre os seres humanos, que têm esta inclinação para as coisas positivas.
No que se refere ao número de seres, existem mais os que se estão degenerando; e poucos se purificando. Por isso temos que compreender que esta preciosa vida humana, tão difícil de acontecer, não deve ser desperdiçada com obras comuns. Devemos utilizar esta existência humana para o esforço de libertar todos os seres e com isto sermos beneficiados nas outras vidas.

O próximo ponto é a meditação da impermanência e a morte.
Logo depois que nascemos, já estamos a morrer. Não existe nada que não morra nunca. As causas da morte são muitas e as causas que podem prolongar nossa vida são muito pequenas, por isto devemos compreender que a qualquer momento podemos morrer. Quando vem a morte, nada pode evitá-la: os parentes, as riquezas, os remédios, os ritos. A única coisa positiva na hora da morte é a nossa prática do Dharma, é a preparação para a morte.

O próximo passo para a meditação é a Meditação no Karma, ou na causa e efeito.
Compreendendo que esta existência humana é rara, e que esta vida que tem tantas possibilidades não sabemos quanto dura, vemos que a única coisa que pode ajudar-nos para as próximas vidas é a prática das causas puras do Dharma. Portanto, a invés de nos tornarmos vítimas de uma vida sujeita à morte, devemos usar cada momento, quando ainda estamos vivos, para praticar o Dharma.

Por isso devemos conhecer as diferenças entre ações virtuosas e ações não virtuosas, devemos nos prevenir de nos engajarmos em ações não virtuosas.

As 10 ações negativas ou não virtuosas são: As 3 ações negativas cometidas pelo corpo: Roubar, Matar, Conduta sexual errônea.
As 4 ações negativas da fala: Mentir, Palavras fúteis, Caluniar, Tagarelice.
  As 3 ações negativas da mente: Pensamento de agressão, Cobiça, Visão errônea.
Estas são as ações não-virtuosas, que são as causas devido às quais podemos nascer nos 3 reinos inferiores.
A causa e feito do karma é uma coisa inevitável. 
Mesmo que afortunadamente tenhamos nascido no reino humano, se fizermos as 10 ações não-virtuosas iremos colher o que plantarmos. Por exemplo: aqueles que muito mataram na vida passada, nessa vida terão vida curta; quem roubou no passado, será pobre nesta vida. Aqueles que mataram na vida passada, nesta vida terão gosto de matar, e serão assassinos, formando a cada vida um acúmulo cada vez maior.

O resultado das ações positivas como salvar a vida de animais ou qualquer ação virtuosa nos leva a nascer nos 3 reinos elevados, pois a relação é causal para cada ação: Não matar gera vida longa. Generosidade gera prosperidade material.

Devido ao karma de termos feitos ações positivas, acabamos nascendo nas circunstâncias que dão continuidade a realizar essas ações para beneficiar os outros. Compreendendo a questão do karma, só assim teremos confiança para fazermos ações positivas.
Devemos ter o maior cuidado com o resultado de nossas ações.
Entretanto, tudo isso existe do ponto de vista da verdade relativa.
Já do outro ponto de vista, o da verdade absoluta, nada existe.
Por isso terminamos a nossa fala citando o Sutra do Coração da Sabedoria, o que lemos no início: “Por isso, Shariputra, todos os dharmas são vazio. Não existem características. Não existe nascimento, nem cessação. Não existe impureza nem pureza. Não existe aumento nem diminuição. Por isso, Shariputra, no vazio não existe forma, nem sentimento, nem percepção, nem formação, nem consciência. Não existe olho, nem orelha, nem nariz, nem língua, nem corpo, nem mente. Não existe aparência, nem som, nem cheiro, nem sabor, nem tato, não existem dharmas. Não existe dhatu do olho, nem dhato da mente, não existe dhatu de dharmas, nem dhatu da consciência da mente. Não existe ignorância nem fim da ignorância, assim como não existe nem velhice nem morte, nem fim da velhice e da morte. Não existe sofrimento, nem origem do sofrimento, nem cessação do sofrimento, não existe caminho, nem sabedoria, nem apego, nem desapego.”

Com isso, nós concluímos o ensinamento de hoje, e vamos encerrar fazendo as preces de dedicação dos méritos de termos ouvido estes ensinamentos, para todos os seres. 

Neste Universo, todos desejam experimentar felicidades. E para conseguir a felicidade todas as pessoas fizeram os seus melhores esforços. Sem desenvolvermos Sabedoria Profunda, o simples progresso material externo não nos dará por muito tempo o sucesso quanto à paz e à felicidade que estamos perseguindo. De acordo com o Ensinamento budista, todos os seres viventes, se tentarem seguir o desenvolvimento de um treinamento espiritual, serão bem sucedidos, porque todos os seres viventes possuem a chamada natureza búdica. O que quer dizer que a natureza mesma de nossas mentes, apesar de nunca estar totalmente livre de obscuridades, apesar de nunca estar livre de poluições, apesar disso, a verdadeira natureza da nossa mente é pura desde um tempo sem princípio, desde o sem princípio. Não vemos a verdadeira natureza da mente e por isso, devido a não conhecermos a realidade, nós nos inventamos um "eu". Essa é a nossa principal ilusão. Mas as ilusões não são a natureza da mente, elas são temporárias. Assim, com métodos corretos, nós podemos eliminar as ilusões. O meio de eliminar essas corrupções é através do desenvolvimento do Método e da Sabedoria.
É muito importante conhecer as práticas espirituais da vida dos grandes Mestres para que nos inspiremos a seguir os seus exemplos. Porque também os grandes Mestres foram pessoas comuns como nós, e assim como nós estiveram cheios de corrupções e cheios de obscuridades. Mas, porque entraram no caminho espiritual, e devido à prática que fizeram, com muito esforço puderam eliminar as obscuridades e desenvolver a Sabedoria e assim tiveram sucesso em suas práticas.
Como sabem, o Budismo começou na Índia. O Senhor Buddha nasceu na Índia e também atingiu a Iluminação na Índia. E também na Índia demonstrou suas grandes atividades físicas, suas grandes atividades verbais, suas grandes atividades mentais. Mas a sua atividade mais importante ficou conhecida como "Girar a Roda", Girar a Roda do Dharma. Primeiramente o Ensinamento vem do Buddha para nós, e depois num momento posterior nós também prosseguimos. Este é o sentido de girar a roda. Depois que o Budismo se estabeleceu na Índia, se disseminou em vários países. Mas no Tibet, e graças à bondade de virtuosos Reis do Dharma, de seus ministros, de alguns sábios indianos, de tradutores, através deles, o Tibet possuiu o completo Ensinamento do Buddha. Ainda que em outras partes do mundo também existam profundas doutrinas budistas, alguns têm apenas a parte hinayana, outras têm apenas a parte mahayana, outras têm apenas a parte mantrayana (não completamente, mas têm). O Tibet, porém, tem tudo, completo. Ensinamento Hinayana, o completo Ensinamento Mahayana e o completo Ensinamento Mantrayana. Os Mestres tibetanos atingiram a mesma realização que os Mestres indianos. Cada uma das quatro escolas do Budismo tiveram igualmente grandes Mestres. 
A tradição Sakya deriva da família Khön. Quando o Budismo veio da Índia, um dos primeiros tibetanos a receber a completa transmissão e ordenação era um Khön, cujo nome era Nagarashita. Eram sete pessoas a receber a ordenação e ele era um dos mais jovens, e recebeu os profundos Ensinamentos diretamente de Guru Padmasambhava e por esta razão eles praticaram o que se conhece como "antigos seguidores", o que em outras palavras eram os "Ningmapás".
Muito tempo depois, o pai de Sachen Kunga Nyngpô (1092 – 1158), Khön Konchok Gyalpo, sentiu que devido às circunstâncias viera o tempo de estabelecer uma escola separada; que, se ele começasse uma escola separada seria mais benéfico; e assim a Escola Sakya foi estabelecida.
Khön Konchok Gyalpo estabeleceu o primeiro Mosteiro [Sakya]. Os Ensinamentos ali foram confiados aos Tradutores, porque os Ensinamentos que vieram dos tradutores eram considerados autênticos. Os Tradutores viajavam do Tibet para o Índia e ali se encontravam com os grandes Mestres indianos e recebiam os Ensinamentos.
Naquele tempo vivia o tradutor Dromi Lotsawa, um dos maiores tradutores.
Assim ele voltou para o Tibet e lá encontrou Gayadhara. A Linhagem do Landré: Virupa  837CE - 909CE; Krishnapa; Damarupa; Avadhutipa; e Gayadhara. De Gayadhara ele recebeu novamente o Ensinamento LanDré, lá mesmo no Tibet. Sachen Kunga Nyngpô é considerado o fundador.
O Treinamento da Mente, que é chamado "a liberação dos quatro apegos", se origina no mestre Sakya Sanchen Kunga Ningpô. 
Quando ele tinha 12 anos, estava engajado numa prática de retiro de Manjusrhi por seis meses, quando teve uma visão da deidade.
Manjusrhi apareceu em sua visão e lhe deu o seguinte ensinamento:
1- Se você tem apego a esta vida, você não é um praticante do Dharma.
2- Se você tem apego ao Samsara, você não tem sentido de renúncia.
3- Se você tem apego a si próprio, não há bodhiccita, pensamento de iluminação. 4- Se você está agarrado, não existe a visão.
Nessas quatro linhas todos os sentidos das seis paramitas, ou seis perfeições, estão contidos. A fim de que você tenha o Dharma apropriado, ao invés de ter apego a esta vida, sua mente deve estar apegada ao Dharma; ao invés de ter apego ao Samsara, ou Existência, o nosso Dharma deve estar de acordo com certas instruções; ao invés de estarmos apegados a nós mesmos, devemos aprender o caminho que nos liberta das ilusões.
A sabedoria vai aparecer e libertar-nos da confusão.
O antídoto de estar apegado a si próprio é a sabedoria que vai além da ilusão. Aparece a sabedoria que está além dos conceitos analíticos. Este é um tipo de sabedoria além da fabricação dos dois extremos.
Com isso, nós concluímos o ensinamento de hoje, e vamos encerrar fazendo as preces de dedicação dos méritos de termos ouvido estes ensinamentos, para todos os seres. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ANIVERSÁRIO DE NOSSO SAGRADO GURU

ANIVERSÁRIO DE NOSSO SAGRADO GURU NO DIA 8 DE SETEMBRO (DATA OCIDENTAL)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

sábado, 11 de agosto de 2012

O SUTRA EM LEMBRANÇA DOS TRÊS RARÍSSIMOS BUDDHA, DHARMA E SANGHA

O SUTRA EM LEMBRANÇA DOS TRÊS RARÍSSIMOS BUDDHA, DHARMA E SANGHA

Homenagem ao Onisciente, o Abençoado Buddha, que é o Tathagata, Arhat, o perfeito e completamente Desperto, abundante em toda sabedoria, que atingiu o Nirvana. Para ele que é possuído dos (três) treinamentos morais, Sugata, que conhece o mundo, Domador de humanos, Líder, Supremo, o Professor de deuses e humanos, o Abençoado Buddha, Tathagata, que é o resultado de méritos, inexaurível, fundamental virtude, adornado com a paciência, a fundação dos tesouros dos méritos, adornado com as (80 físicas) marcas de perfeição, propagando as flores das marcas, completamente, sem defeito. Em vê-lo não há discordância. Com fé eu manifestamente me delicio em devoção, a divina sabedoria que não é superada em esplendor, inconquistável força, o Professor de todos os seres sensíveis, o Pai dos Bodhissatvas, o Rei dos gloriosos seres, o líder daqueles que estão indo para a cidade do Nirvana, imensurável na absoluta sabedoria, inconcebível na coragem, com a fala totalmente purificada, a voz doce, a beleza que nunca cansa de ser contemplada, com incomparável corpo, não manchado de desejo, absolutamente não conspurcado de formas, não misturado com o sem forma, totalmente emancipado das misérias, completo, totalmente emancipado dos Skandhas, não possuído de Dhatus, cujos órgãos dos sentidos são ilimitados e imperturbáveis, todos os nós desatados, totalmente emancipado da existência transmigrante, tendo cruzado o rio, pleno da completa sabedoria divina, morando na divina sabedoria dos Buddhas do passado, aqueles que não mais voltarão, e aqueles que voltarão para a era corrente, não restando em Nirvana, restando em Sunyata, morando naquele lugar de onde se pode ver todos os seres sensíveis; essas são as grandes e puras qualidades dos Abençoados Buddhas.
         O Sagrado Dharma é virtuoso no princípio, virtuoso no meio, virtuoso no fim, bom de compreender, bom em palavras, inalterável, inteiramente realizável, completamente puro, inteiramente purificado, o Dharma foi bem expresso pelo Vitorioso, pode ser realmente visto, e não infectado, ininterrupto pelo tempo, totalmente elogiável, e mostra o seu sentido ao vê-lo. Faz os eruditos perceberem o individual Samadhi por suas próprias sabedorias divinas. Bem suportado pelo Vinaya, o Dharma que foi falado pelo abençoado pode certamente liberar, leva em direção à perfeita Iluminação, sem discordância, possuído pelo auto-controle, estável e imóvel.
         As Sanghas Mahayana estão bem assentadas, apropriadamente estabelecidas, assentadas corretamente, vivendo harmoniosamente, digna de respeito, digna de adoração, o glorioso campo de méritos, os grandes dedicados (aqueles que dão as esmolas que por toda a virtude de suas doações podem atingir o Nirvana), o objeto das esmolas, que se tornam grande objeto de esmola para sempre.
(Traduzido por SAKYA TSECHEN LING, Strasbourg, France. Tad. R. Samuel)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A RAINHA DAS PRECES CHAMADA A REALIZADORA DE TODOS OS OBJETIVOS

(mandala de Tara)
A RAINHA DAS PRECES  CHAMADA A REALIZADORA DE   TODOS OS OBJETIVOS,
UMA  REZA PARA A SENHORA DEUSA    ARYA TARA
Canção Atribuída ao Devoto indiano
Matrceta

Homenagem para o Deus dotado de Grande Compaixão, Aryava1okitesvara!
1 [Como] a lua é bela no centro do céu e das constelações, A Protetora, cercada de sattvas, é bela no meio dos migradores. Como a lua imaculada dispersa a angústia, livre de toda a ignorância, Você dispersa as tristezas dos migradores.2 Dotada de trinta e sete ajudantes para Bodhi, Dhyanas, e muitos samadhis e Liberações,    Você é adornada com as trinta e duas Marcas [dos Grandes Seres] E mais ainda adornada com os oitenta Sinais excelentes.3 Você achou os três pontos que não precisam de nenhuma guarda, as três Consciências Especiais,     E as quatro Destemidas, e tem as quatro Purezas.Qualificada nos dez Poderes, Você tem grande   Compaixão para os seres. Todas as impressões destruídas, Você superou todos os   tipos de falta.4 Os cinco klesas superados são as cinco Sabedorias das cinco Famílias; Os Cinco Corpos são as cinco Iluminações que Você atingiu; Você treinou os cinco Caminhos e tem os Corpos dos cinco Buddhas,   Abandonou os Cinco skandhas, não possui nenhuma contaminação e tem os cinco  super-conhecimentos. 5 Essência dos Conquistadores de todos os três tempos, Você é fonte e causa suprema de todas as virtudes. Livre de ganância e ódio, para a causa dos seres migradores Você tem diversos aparecimentos. 6 Você tem um Corpo que é verde, para todas as atividades. Sua coroa é adornada com Amitabha.  Com o olhar de uma rainha universal, Tara, condutora dos seres, [tal] é Seu Corpo. 7 Seus cabelos adoráveis são embelezados com uma coroa, Diadema, tiaras, [lua] crescente e duplo-vajra. Brincos, adornos de pescoço e ombros, pulseiras,
guirlandas, cintas, e adornos das pernas envolvem Você. 8 Ricamente adornada com colares sobrepostos com jóias preciosas, ombros de pedras preciosas, fios de pérolas,  Você está coberta
com uma estola de colorida seda matizada e cetim divino. 9 Nascida de loto, na Família de Loto, Você se senta em um assento de um supremo [colorido] loto, puro como um loto vermelho, imaculado sem as  corrupções] como ganância, ódio e ilusão. l0  Seu Corpo se move para todos os guardas das direções dos migradores: —Indra, Yama, Varuna e Yaksa, Bhuta, Agni, Vayu, Raksasa, Deuses da terra, e o anfitrião dos deuses superiores. 11 Tara, Você é a deusa dos deuses, triunfante sobre deuses como Brahma, Visnu, Isvara, Mahadeva, Rudra, Siva e Uma; Você é renomada como a soberana de todos
os três Reinos. 12  Você não segura um crânio, mas tem o crânio de Compaixão; nenhum cabelo
emaranhado, mas Você é adorável com intensa Alegria; Você não tem nenhum tapete de pele, mas as Marcas e Sinais A adornam; Embora não se cubra de cinzas, Sua natureza é de pleno    Amor.  13 Você não trás nenhuma das três tábuas simbólicas, mas tem o Tríplice    Treinamento;  Rejeitando o chão, Você mora no Dharmadhatu. Você não usa sons  como o do damaru, mas proclama todo o Dharma com Voz de sessenta qualidades. 14 Seu Corpo, que só tem um no Nirvana, não veste nenhuma linha sagrada; Você pode ir de noite, e vai em todos os tempos igualmente;  Você rejeitou apetências
erradas, rejeitou a ascese errada, e está completamente dotada de toda a prática santa.   15 Rejeitando armas afiadas, Você brande a espada da Sabedoria. Abandonou o  Ódio, cortou as raízes enterradas. Não tendo nenhum preconceito, Você domina toda doutrina. Não tendo nenhuma ganância, vai como o espaço a todos lugares. 16 Que sua Mente está livre de limites, como o espaço.   Seu Corpo é a esfera inteira do conhecível.  Sua Fala ou aparecimento de  fala é qualquer som. Tara, Você tem a essência que combina todos os dharmas.   17 Você tem os ritos dos Conquistadores de todos os três tempos: Como o acalmar,          o aumentar, o dominar, o encantar - chamando, afugentando, expulsando turbas, Silenciando, tirando a fala, transformando,  protegendo. 18 Você tem os oito Domínios— O Domínios do Corpo, Fala e da Mente e dos Objetos dos Sentidos, [igualmente também os Domínios de Lugar], Poderes Mágicos, Onipresença e Qualidades. 19. Você percebeu a inseparabilidade do espaço como Dharmakaya,  Mas demonstra sempre Forma de corpos de espetáculo, como arco-íris, para os migradores. Chefe supremo de todas as mandalas, Tara, Você salva os migradores dos  dilemas do samsara. 20. Se a pessoa pensar em Você, Você livra dos medos dos reinos de aflição, dos
medos de reis, ladrões, fogo e água, dos medos de leões, tigres, cobras, raksasas. De todo tipo de doença que rouba a vida,  Produzida por perturbação de elementos ou por espíritos, E de todo o rsis e dakinis que amaldiçoam Você protege. 21.Para os seres que querem adquirir jóias,  Mantras ou medicamentos, para esses que pensam em Você com convicção, Você concede para eles  todos os siddhis super-mundanos. Os que querem poder [Você faz] triunfante na batalha;  Os que querem riqueza ou fama, ou desejam ser livres das manchas da difamação, Você traz [isto] sobre eles. 22. Quem A elogia, elogia a todos os Sugatas—Mãe que produz todos os Buddhas dos três tempos, Seu Corpo é todos os Buddhas e suas Descendências, Tara Venerável, dotada de montanha de virtudes! 23 Impulsor e correia de Brahma, Visnu e Isvara e semelhantes a eles, como Rudra, Uma, Sita e Sama! E Bhrkuti, Mamaki, Locana, Pandara-vasini! 24 Para o benefício dos migradores que cultuam Você, Seu Corpo mostra de modos infinitos o método de como a pessoa pode ter o aparecimento de supremo esplendor.
Muito Venerável Tara, supremo Refúgio  dos migradores, em quem Amitabha aparece como coroa—homenagem a Você! 25. Eu me curvo para o Corpo de Tara que protege dos oito medos.  Eu me curvo ao Corpo de Tara de fama infinita.  Eu me curvo ao Corpo de Tara, a benfeitora do mundo. Eu me curvo ao Corpo de Tara, cura segura da tristeza. 26. Eu me curvo ao Corpo de Tara de mil mãos e olhos.   Eu me curvo ao Corpo de Tara, infinita como o espaço.   Eu me curvo ao Corpo de Tara, adornada com as Marcas e Sinais.  Eu me curvo ao Corpo de Tara, cujos membros são como a lua.
Eu me curvo ao Corpo de Tara que é tão luminosa quanto o sol. Eu me curvo ao Corpo de Tara imutável nos três tempos. 27. Eu me curvo ao Corpo de Tara que apóia como a terra.Eu me curvo ao Corpo de Tara que adere como água.Eu me curvo ao Corpo de Tara que amadurece como fogo.
Eu me curvo ao Corpo de Tara que se expande como o ar. 28. Eu me curvo ao Corpo de Tara que é a Soberana Médica. Eu me curvo ao Corpo de Tara, que subjuga a doença como medicamento.
Eu me curvo ao Corpo de Tara,  o rio de compaixão. Eu me curvo ao Corpo de Tara,  qualificada em meios de pacificar.Eu me curvo ao Corpo de Tara, graciosa mas livre de desejo.
Eu me curvo ao Corpo de Tara, que ensina o meio da Libertação. 29 Grande Leão, que por verdadeiramente proclamar a todos os Migradores o som de Vacuidade  do Dharma  Como espaço, terrifica os tirthikas que são como predadores—Tara Venerável,  homenagem para Seu Corpo! 30 Você segura um vajra invariável e um laço, A concha que proclama o Dharma, uma flecha e sabedoria,  Um gancho motriz, uma utpala agradável,  Um arco de compaixão, o dedo indicador elevado de visão.
31 Suas oito mãos são adornadas com os oito símbolos,  Vajra e assim sucessivamente, que são sinais santificados,    Da maneira de símbolos de pureza de mente —Venerável Tara, homenagem para Seu
Corpo!    32 Cercada por uma companhia de doze—Vajra-tara, Ratna-tara e  Padma-tara,
Karma-tara e  Dhupa-tara, Puspa-tara e 33 Dipa-tara, Gandha-tara, e  Ankusa-tara, Pasa-tara e  Sphota-tara e Ghanta-tara—Tara Venerável, homenagem para Você! 34 Homenagem para o Protetor Amitabha! Homenagem para você [também], Padmapani! Homenagem para Deus Avalokita!
Homenagem para Você, O Deus do Mundo! (34) 35 Homenagem para Você, O Amoghapasa! Homenagem para Krodha-raja  Hayagriva!  Homenagem para Você que protegem dos oito medos!  Homenagem para Você de mil mãos e olhos! 36 Homenagem para Compaixão de onze frentes!
Homenagem para Você, Grande em Maestria!(36) Homenagem para Você, O Grande Vajra Dharma!
Homenagem para Você, Significado Supremo de Verdade! 37 Homenagem para Você, Ó Comandante mais alto do Mundo! Homenagem para Você, Ó Grande olhos Vajra! Homenagem para Você, [Deusa] Ekajata! Homenagem para Você, Deusa Bhrkuti! 38 Homenagem para Você, Grande Compassivo!
Homenagem para Você, aparição como mulher! Homenagem para Você, [Deusa] Kurukulla!
Homenagem para Você, Pandara-vasini! OM TARA TUTTARE TURE SVAHA! [Benefícios]
39 Quem quer que fez os votos e diante de uma imagem de Tara,  Toma banho, reza com  oncentrada fé com esta rainha das preces, 40 Terminada a recitação do mantra, Tara  Venerável mostrará então sua face, eliminará toda a angústia,   e inspirará com todos os siddhi.
41 Se no oitavo lua crescente,   no meio de uma mandala pesada,   A pessoa adora a Venerável Tara,
elogia-a, e recita este mantra secreto, 42 A pessoa se tornará como o Protetor em natureza, livre de ofuscações,  E puro de qualquer difamação de infração, alcançando   todas as qualidades da quantidade contínua tripla. 43 Se um rei, ao entrar em batalha,  usar esta essência na coroa dele  E recitar este elogio e mantra, dominará os inimigos à vontade. 44 Qualquer mulher que deseja  estar livre de coisas femininas,  Ou quer alcançar o supremo objetivo mundano, ou o super-mundano, 45 Se ela tomar banho, veste uma roupa branca  e no oitavo dia da lua crescente, Jejua, faz adorações, faz elogio e recita, ela alcançará isto sem dúvida. A RAINHA DAS PRECES CHAMADA A REALIZADORA DE TODOS OS  OBJETIVOS, está completa. É um elogio por Mestre Matrceta.  Traduzido do Tibetano [por Martin Willson].  [Trad. R. Samuel]  NOTAS  34. Avalokitesvara.   36. Mahesvara Bodhisattva.


DAMPA RINPOCHÊ, SAGRADO GURU DE SAKYA TRIZIN